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domingo, 9 de outubro de 2011

O crack dentro Município.









A Confederação Nacional de
Municípios (CNM), preocupada com a alarmante proliferação do uso de drogas
nos Municípios do país, realizou a pesquisa, com ênfase ao crack, em 3.950
(71%) cidades para investigar se as drogas já estão presentes nos municípios e
como o poder público municipal está organizado para enfrentar este problema, e
qual a participação da União e dos Estados.





Em Audiência Pública na Câmara dos
Deputados em 2010, o psiquiatra especializado em tratamento de dependentes do
crack, Pablo Roig, apresentou uma estimativa feita com base em dados do censo
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Segundo ele, o
número de usuários hoje no Brasil está em torno de 1,2 milhão e a idade média
para início do uso da droga é 13 anos. O dado foi divulgado no lançamento da
Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack.





O crack é produzido com a mistura de
cocaína e bicarbonato de sódio ou amônia.





Sua forma sólida permite que seja
fumada. Assim, sua principal forma de uso é pela aspiração da fumaça resultante
da queima da pedra.





A fumaça do crack atinge rapidamente o
pulmão, entra na corrente sanguínea e chega ao cérebro em oito a doze segundos
e provoca intensa euforia e autoconfiança. Essa sensação persiste por cinco a
dez minutos. No caso do crack a forma de uso o torna mais potente, e não a sua
composição.





Veja abaixo de maneira resumida e para
exemplificar, os principais problemas causados pelo consumo do crack:





1. Intoxicação pelo metal1: O
usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack. Além do vapor da
droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com facilidade da lata aquecida.
O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos
pulmões, rins e ossos.





2. Fome e sono: O organismo passa a
funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um
processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A
dependência também se reflete em ausência de hábitos básicos de higiene e
cuidados com a aparência.





3. Pulmões: A fumaça do crack gera
lesão nos pulmões, levando à disfunções.





Como já há um processo de emagrecimento,
os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também
há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo
tosse, falta de ar e dores fortes no peito.





4. Coração: A liberação de dopamina faz
o usuário do crack ficar mais agitado, o que leva ao aumento da presença de
adrenalina no organismo. A conseqüência é o aumento da frequência cardíaca e da
pressão arterial. Problemas cardiovasculares, como infarto, podem ocorrer.





5. Ossos e músculos: O uso crônico
da droga pode levar à degeneração irreversível dos músculos esqueléticos,
chamada rabdomiólise.





6. No sistema neurológico podem ser
identificados os seguintes efeitos:





6.1. Oscilações de humor: o crack
provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta
em deficiências de memória e de concentração, oscilações de humor, baixo limite
para frustração e dificuldade de ter relacionamentos afetivos.





6.2. Prejuízo cognitivo: pode ser
grave e rápido. Há casos de pacientes com seis meses de dependência que
apresentavam QI equivalente a 100, dentro da média. Num teste refeito um ano
depois, o QI havia baixado para 80.





6.3. Doenças psiquiátricas: em
razão da ação no cérebro, quadros psiquiátricos mais graves também podem
ocorrer, com psicoses, paranoia, alucinações e delírios.





7. Sexo: o desejo sexual diminui.
Os homens têm dificuldade para conseguir ereção. Há pesquisas que associam o
uso do crack à maior suscetibilidade a doenças sexualmente transmissíveis, em
razão do comportamento vulnerável que os usuários adotam.





8. Criminalidade: Segundo
especialistas da área de segurança pública, o consumo de crack é uma das causa
do aumento de pequenos furtos e roubos menos elaborados. O usuário perde a
noção do risco e tem como único objetivo conseguir dinheiro para comprar a
droga, com isso, de posse de uma faca, tesoura, ou pior, de uma arma de fogo,
ele é capaz de realizar qualquer ato para alcançar este objetivo.





O uso contínuo do crack leva à problemas
psiquiátricos que aliados à ânsia de manutenção do vício, acaba com a
resistência ao ímpeto criminoso, resultando em ações de violência por parte do
usuário, bem como proporcionando maior vulnerabilidade destes à violência. Em
ambas situações é comum a ocorrência de óbitos.





9. Morte: Pacientes podem morrer de
doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e relacionadas ao enfraquecimento
do organismo (tuberculose).





Ao contrário do que se poderia imaginar,
não são as complicações de saúde pelo uso crônico da droga, mas sim os
homicídios que constituem a primeira causa de morte entre os usuários,
resultantes de brigas em geral, ações policiais e punições de traficantes pelo
não-pagamento de dívidas contraídas nesse comércio ilegal.





Outra causa importante são as doenças
sexualmente transmissíveis, como o HIV, por exemplo, por conta do comportamento
vulnerável que a droga gera. O modo de vida do usuário, enfim, o expõe à
vitimização, muitas vezes levando-o a um fim trágico.





OBSERVATÓRIO DO CRACK







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