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quinta-feira, 14 de junho de 2012

A policias e suas falhas de comunicação.













Não é raro que ao se detectar um
problema nas rotinas das polícias alguém tente minimizar a situação dizendo que
“só” ocorreu uma “falha na comunicação”. Um documento que deixou de ser
enviado, uma determinação não cumprida, uma providência não tomada: basta pôr
na conta da “falha de comunicação” que o problema está quase justificado,
podendo todos se resignar com isto que parece ser natural e aceitável. Talvez
este seja um peculiar sintoma de que as polícias brasileiras carecem de uma
remodelagem administrativa.





Com a dimensão do sistema de segurança
pública brasileiro, onde estão inseridas as
polícias
civis e militares, as federais e as guardas municipais
, é quase
trágico se descuidar da comunicação, principalmente se consideramos os
policiais como atores de mediação e negociação comunitária. Como conceber que
estas corporações não dialoguem, para que, conjuntamente, a partir de
informações e preocupações comuns, cheguem a soluções mais eficientes dos
problemas que enfrentam?





O pior é que esta barreira entre as
polícias é apenas o aspecto mais flagrante de um desleixo que, internamente,
parece ocorrer em boa parte das organizações policiais do Brasil. Tal qual
ilhas, unidades de uma mesma corporação acabam não dialogando, deixando de
padronizar procedimentos e evitando que um ambiente de colaboração mútua seja
consolidado. A “falha de comunicação” chega a se inserir na cultura das
polícias como uma desobediência velada: “se não fiquei sabendo, não posso
cumprir”, diz o policial da operacionalidade, diz o comandante ou chefe de
unidade.





Talvez, os governos pudessem utilizar
sua força política para fomentar a clareza comunicativa nas polícias, evitando
boatos e desordens. Mas as secretarias de comunicação estão por demais atarefadas
em fazer propaganda político-eleitoral, alheias a um dos pontos nevrálgicos na
gestão da atividade policial.





Da próxima vez que você ouvir que este
ou aquele problema ocorreu “só por falta de comunicação”, não minimize a
situação, pois é o mesmo que dizer que alguém “só” morreu porque sua veia
estourou. Se os vasos sanguíneos conduzem o oxigênio indispensável à vida, a
comunicação faz o mesmo com informações indispensáveis à manutenção da
eficiência institucional. Se comunicar é condição primeira de qualquer
organização – ou estamos falando de um conjunto de entidades desconexas. Por
isso, falhar na comunicação é destruir a própria corporação. Algo grave e
inaceitável.





Autor: Danillo Ferreira - Tenente da
Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e
graduando em Filosofia pela UEFS-BA.





Contato: abordagempolicial@gmail.com 


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