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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Você sabe o que é a Polícia de Proximidade?











Você
sabe o que é a Polícia de Proximidade?





Polícia de proximidade.


Por Marcos Rolim




O recurso mais importante para qualquer polícia do mundo é a informação. Uma
polícia sem informações não sabe o que fazer e age como se estivesse em um
túnel escuro. A mais ampla e importante fonte de informação para o trabalho
policial é o povo. Mas a população só informa a polícia se confiar nela. Por
isso, aumentar a confiança nas polícias é um desafio central, especialmente
quando a imagem das instituições for ruim e estiver associada à ineficiência, à
corrupção e à violência. O atendimento prestado à cidadania, a educação dos
policiais e os êxitos alcançados pelas polícias ajudam muito, mas confiança
exige proximidade dos policiais com as pessoas.



Nosso modelo de polícia está fundado em uma concepção reativa na qual os
policiais patrulham aleatoriamente as cidades, dentro de viaturas, atendendo
aos chamados de emergência do sistema 190. Os residentes não conhecem os
policiais, que, por sua vez, tampouco conhecem os moradores. Na ausência de
vínculos, o que temos é uma “polícia estranha” às comunidades e que aparece,
como regra, apenas depois que um crime já foi cometido. A ideia de fixar
policiais em pequenos distritos, para o patrulhamento fora de viaturas,
normalmente a pé, em contato direto com as pessoas, é o começo de uma mudança
essencial em direção ao modelo de polícia comunitária. Nos países de democracia
consolidada, esta tem sido uma das mais fortes tendências no policiamento nos
últimos 30 anos.



Com o policiamento de proximidade, os profissionais de segurança passam a
conhecer os residentes por seus nomes, passam a entender as dinâmicas sociais
da região, têm mais condições de auxiliar as pessoas em variados momentos de
dificuldade (não apenas em ocorrências criminais) e podem construir laços de
confiança que lhes permitirão receber as informações de que precisam. As
Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro têm obtido êxitos
porque realizam esta dinâmica. Quem tomar este exemplo como suficiente,
entretanto, poderá se frustrar.




A cidade do RJ possui 1,5 mil favelas. Há UPPs em 12 delas. Se o governo
conseguir instalar uma nova UPP por mês, em cem anos a cidade não estará
coberta. Será preciso, então, reduzir rapidamente as áreas de exclusão social e
promover cidadania. Mas o problema maior nem é esse. O problema é que nada nos garante
que os policiais recrutados para as UPPs não estarão em breve associados ao
crime. 




Para evitar este resultado, será preciso – além de salários dignos e exigências
maiores de recrutamento e formação – a reforma do modelo de polícia,
introduzindo o ciclo completo de policiamento e a divisão de responsabilidades
entre as polícias por tipos criminais, assegurando uma única porta de entrada
em cada polícia e, por decorrência, a possibilidade de uma verdadeira carreira
policial etc., o que exige a alteração do art. 144 da Constituição Federal e
disposição para mexer em um vespeiro de interesses corporativos e de disputas
de poder.




Bem, podemos não fazer isso, por conveniência política ou falta de
discernimento. Nesta hipótese, o pesadelo das milícias e da degradação completa
da atividade policial surgirá cada vez mais forte no horizonte.



Fonte: Instituto
de Criminologia e Alteridade




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