Seja muito bem vindo ao blog

sábado, 4 de junho de 2011

Força Pública.

A Policia Militar engoliu o Estado?‏


Por Flavio Engel.
Graduado em História




Está em curso no Estado de São Paulo um processo histórico recorrente em grandes sociedades, cujo resultado é o autoritarismo e a coação armada estatal.


Este processo, que a História registra em diversos documentos, refere-se ao crescimento de uma “Força Pública” que, chamada a remediar os conflitos gerados pela sociedade de classes, cresce de forma exponencial; criando uma superestrutura incontrolável que irremediavelmente tende a engolir o próprio Estado ao qual seria servidora. 


Sua megalomania se desenvolve através da invencível fusão de poder político e armado, sustentado pela propaganda em massa e da sua enorme capacidade de intimidar os administradores civis, com seu grandioso poder de mobilização e fidelidade de suas tropas, muito mais leais à instituição do que ao próprio compromisso com a sociedade.


Este processo ocorreu na antiguidade em Roma e seus legionários, na Alemanha de Hitler com a Wehrmacht, ocorre atualmente nos EUA e seu incontrolável exército imperialista e agora desponta em São Paulo com a sua Polícia Militar.


A Força Pública paulista, milícia criada ainda no século XIX, no berço dourado da aristocracia rural de São Paulo por Tobias de Aguiar, que desde a ditadura é conhecida como Polícia Militar do Estado de São Paulo; Cada vez mais se distancia de uma organização destinada à proteção da cidadania, para se transformar em uma entidade focada na manutenção de seu próprio status, visando principalmente conservar a anacrônica e ineficiente estrutura de segurança pública do país; Que por sua vez dá sustentação a um oficialato burguês e elitista, empenhado em manter suas próprias regalias, benefícios e gordas pensões que são dignas de uma realeza, chegam inclusive a portar espadas para dar uma conotação absolutista a seu posto. Destaque para o carro do comandante da PM que é muito mais caro e luxoso que o do Governador.


Vale lembrar que a polícia militar de São Paulo já deu mostras de sua verdadeira face em 1932, quando levou o país a uma guerra entre brasileiros; a tal “Revolução” Constitucionalista; criada pelas elites do café contra a política de direitos trabalhistas mínimos de Getúlio Vargas. 


Ademais, seu caráter de tropa fascista ficou evidente recentemente, quando se valeu de maneira sádica, de força absurdamente desproporcional, para reprimir a manifestação dos policiais civis em frente ao Palácio dos Bandeirantes, uma cena vista por todo o mundo. 


Vale lembrar que as PMs monopolizam o sistema de segurança pública, lutando com extrema organização politica contra as urgentes reformas de consolidação democrática, que englobam municipalização, corregedorias autônomas e desmilitarização das polícias.


Hoje com mais de 130.000 homens, entre ativos e reservistas, o exército de São Paulo é tão grande quanto o Exército Brasileiro, só que melhor armado e com treinamento duvidoso. 


Invadiram com sua lógica de senhor de engenho, todas as esferas da administração pública e da mídia, comandando com braço de ferro 28 das 31 subprefeituras da 3ª maior cidade do mundo, assumindo as principais funções administrativas municipais e Estaduais.


Métodos Nazistas.


A PM dá conotação nazi-fascista ao Estado das elites de São Paulo, e se valem da principal ferramenta deste sistema, a propaganda; Ocupam lugar de destaque nos principais telejornais, chegando inclusive a possuir três programas exclusivos na TV aberta, recentemente entraram marchando com o troféu em rede nacional na final do Campeonato Paulista de Futebol, a federação Paulista de Futebol está cheia de coronéis.


Seu Hino é ensinado às crianças nas escolas através do PROERD. 


No Esporte, no Lazer e na Educação deixam a sua marca; algo que nos remete aos eficientes métodos do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebels.


Desta forma, os últimos atos do golpe de 1964 ainda podem ser percebidos em São Paulo na lógica administrativa de sua polícia militar, que cada dia mais massacra e subjuga a população pobre e as instituições civis, marchando em passo acelerado  para o comando empírico do Estado.


Assim, resta aos administradores e instituições civis, ao povo e aos políticos não aliados a seu projeto, apenas o direito humilhante de se curvar ante ao seu poderio.






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 13.022, DE 8 ...